Sopa da Pedra de Almeirim

“Havia um frade espertalhão que para conseguir comida chegava a casa dos aldeões e garantia que conseguia fazer uma sopa deliciosa só com uma pedra.

Os que o recebiam, ansiosos por perceber como é que isso era possível, iam acedendo aos pedidos dele “Se agora me dessem só um dentezinho de alho é que isto ficava delicioso”, “Está quase pronta, mas com um bocadinho de toucinho…”, “E umas folhitas de couve.” E por aí fora, até a panela estar cheia de coisas boas e a sopa estar deliciosa, com a pedra no fundo e tudo o resto que o frade tinha conseguido que lhe dessem.”

ingredientes

  • 500 grs. de feijão encarnado
  • 600 grs de batatas
  • 800 grs de carne de porco (entremeada com osso ou pernil, orelha, pés, rabo, estes 3 últimos facultativos embora façam parte da receita original).
  • 1 chouriço
  • 1 chouriço mouro ou morcela
  • 1 farinheira
  • 1 cebola
  • 2 dentes de alho
  • 1 folha de louro
  • 1 ramo de coentros ou hortelã
  • sal, pimenta, calda ou polpa de tomate qb (eu coloco também 1 colher de chá de colorau)

preparação

  • No dia anterior salgam-se as carnes de porco e coloca-se o feijão de molho, depois de bem lavado. A salga das carnes no dia anterior tem a finalidade de ficarem mais saborosas, quanto ao feijão pode ferver água e colocá-lo de molho nessa água quentíssima até duplicar de volume, durante cerca de 1H.
  • No dia seguinte coloque a farinheira de molho para que seja fácil espalhar o interior por toda a pele da dita. Depois de espalhada pique com um garfo.
  • Lave e escolha o feijão, retirando os que estão picados do bicho, coloque-o numa panela com a cebola, os alhos e o louro. Cubra com água (se for necessário juntar mais água deve ser sempre água quente). Deixe cozer sem que fique a desfazerem-se pois ainda vai cozer com as batatas.
  • Coloque água noutro recipiente e quando levantar fervura junte as carnes e os enchidos que foram picados com um garfo (não coloque ainda a farinheira) e adicione sal. 
  • Conforme as carnes forem ficando cozidas vá retirando mantendo-as quentes (por exemplo numa caixa de plástico ou num prato tapadas com papel de alumínio).
  • Entretanto descasque as batatas e corte-as em cubos pequenos.
    Depois do feijão e carnes cozidos junte ambas as águas (eu gosto de cozer em separado porque 1º a minha mãe ensinou-me que o feijão não deve ser cozido com sal porque é difícil cozer e 2º porque assim posso controlar a quantidade de gordura que quero na sopa).
  • Separe cerca de 1/3 do feijão e reduza-o a puré com a varinha mágica ou para que fique mais sedoso faça com o passe-vite e assim as cascas ficam retidas. Quando a água levantar fervura juntam-se as batatas, a polpa de tomate (cerca de 1 colher de sopa), os coentros ou hortelã, pimenta, colorau (facultativo) e o puré de feijão. Deixa-se ferver um pouco e retifica-se o tempero.
  • Entretanto cortam-se as carnes em pedaços pequenos e os enchidos às rodelas e juntam-se à sopa. Quanto à farinheira, normalmente cozo-a num tacho à parte, assim se reduz a gordura na sopa ou então quando a água levantar fervura depois de tudo introduzido na panela coloque a farinheira no cimo e coze ao mesmo tempo que as batatas, em lume brando e corta-se à rodelas depois de cozida.
  • Sirva quente e, se quiser, decorando cada prato com coentros picados.
    NOTA: Colocar a sopa numa travessa de servir e “Se preferir siga o conselho do frade que, para enriquecer e apaladar o conjunto, juntou um seixo rolado, lavado e suficientemente grande para não passar despercebido.” Bom apetite e…guarde a pedra para a próxima!

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